O outro lado do mundo...

Contos que refletem as mais diversas facetas do homem e da mulher. O sórdido e o romântico que permeiam a vida cotidiana refletidos em palavras secas e cheias de verdade.

sexta-feira, abril 20, 2007

O drama de Juscelino

-Eu não te aguento mais!!! - gritou Juscelino em um desespero quase suicida.
Era mais um momento daqueles onde sua mulher Araci o levava a loucura com cobranças de maior participação nos assuntos domésticos.
Juscelino, durante 32 anos, trabalhou cerca de 12 horas por dia em uma repartição imunda cercado de imprestáveis de mau-humor. Como todo sentimento ruim, através de uma espécie de osmose Juscelino se via constantemente contagiado por aquele ambiente. Seu consolo era saber que faltavam poucos anos pra se aposentar e que os dias de cerveja gelada na mesa e futebol na tv estavam próximos.
Quando chegaram estes tão esperados dias, ele mal conseguia conter a alegria. Mascaradas pela empolgação da recém-chegada liberdade, pequenas cobranças para consertar isso, pregar aquilo, já vai sair de novo passavam desapercebidas. Assim foi por uns 6 meses até que chegou o dia em que a ficha começou a cair. Insatisfeito com o rumo que as coisas começavam a tomar Juscelino resolveu se manifestar. De uma briga surgiu a segunda e destas duas a treceira, a quarta e assim por diante. Incapaz de arrumar uma amante decente dado ao avançar da idade que trouxe consigo as mazelas inexoráveis do tempo, ele resolveu ceder a escravidão imposta por sua esposa e durante mais algum tempo aguentou calado a presença irritante da esposa com todas as consequências terríveis que vinham no pacote.
-Eu não te aguento mais!!- disse Juscelino hoje por volta de 15:40.
Araci, tomada pela loucura inflamada de sua tirania, agrediu Juscelino com palavras escabrosas. Ele não suportou. Era dia de Vasco e Flamengo com transmissão ao vivo pela globo. Faltavam 8 minutos para o início da peleja quando Juscelino sufocou Araci com a cortina do box. Vendo o corpo de Araci ainda quente, inexplicavelmente sentiu o tesão reprimido por anos de tirania vir a tona. Juscelino comeu Araci de todas as maneiras que ele conhecia e só parou para ver o milésimo gol do Romário, exatamente no momento em que seu gozo jorrava na boca de sua finada esposa. Diante de tal cena, radiante de tanta alegria Juscelino pegou o revolver que guardava em sua mesa de cabeçeira e atirou contra a própria cabeça. Não havia mais razão, não havia mais paixão, não havia vida...

terça-feira, outubro 31, 2006

Traição

Ela pensava em dormir mas a noite havia sido terrível. Seu marido a traía e ela tinha certeza disso agora.
Três semanas atrás quando foi ao escritório do detetive recomendado por uma invejosa "amiga" de trabalho, tinha dúvidas. Achava que só para ter certeza de que estava imaginando coisas o preço de R$ 2000,00 cobrado pelo distinto senhor valia a pena. Hoje acha que o preço é mais alto do que ela pode pagar. Fez e refez suas contas e decidiu ir adiante.
Assim que o dia clarear ela irá partir e sumir no mundo. As provas apresentadas pelo detetive serão o suficiente para arrancar uma boa pensão. Tendo tudo planejado pegará o telefone e discará para ele, não o marido mas o amante - Está tudo acabado, agora podemos ir. Te espero amanhã no apartamento do Grajaú. Bjs. E então irá chorar....